Estes dia assisti o documentário da Xuxa, sua vida, sua obra, seu legado, além de muito bem produzido, pelo jornalista Pedro Bial, é bem verdadeiro, sem cortes, conta sua história, expondo suas qualidades, defeitos, erros e acertos, alguns pela imaturidade peculiar da idade, outros por pressão da emissora, diretora, amigos e todo peso que a fama demasiada traz! Dentre muitas informações e é claro o capítulo ou a passagem em que ela se encontra com sua antiga diretora, Marlene Mattos, algumas coisas me fizeram refletir e me lembro que ao ouvir a simples chamada na TV, dizendo que iria começar o Xou da Xuxa, eu já me ajeitava no sofá, parava tudo que estivesse fazendo e prestava atenção. Logo que a nave se abria, era um frisson só, parecia que todos os nossos sonhos iriam se realizar, dali saía magia, esperança, alegria, felicidade, sonhos e desejos explodindo pela tela, rasgando nossos corações, éramos um misto de felicidade, ansiedade pelas brincadeiras e desenhos, ouvidos atentos as músicas, parecíamos querer entrar tela a dentro para estar ali, dar as mãos às Paquitas, correr com o Praga, apertar as seis mãos do Dengue, ver He-Man, She-Ra, Caverna do dragão, Rambo, Os caças-fantasmas, Thundercats, Transformes, Tartarugas Ninjas, entre outros desenhos.
Ao som de musicas como Tindolelê, nossas manhãs eram alegres e esperançosas, como costumo dizer, não tínhamos um boleto para pagar, o problema a ser resolvido era conseguir se arrumar para a escola, sem perder o desenho e é aí que comecei a pensar, vendo o documentário, vendo a frase em que Marlene diz: “Usava você para fazer outras de marionetes!”
Nos éramos marionetes felizes, que tínhamos vontade de dançar e se a música parasse, imediatamente estávamos prontos para pedir BIS, mas o fato é que crescemos e junto com a idade, chegaram os boletos, as responsabilidades, as consequências dos erros que vai além de se deixar ser pego no pique-esconde, a de burlar a salada mista para dar um selinho na menina bonita da rua, as consequências são inúmeras e de diversos tamanhos, nos tornamos uma sociedade carente, emergente, reticente, sorridente mas com almas chorosas, que extravasa no show e chora no chão, está em extasi numa noite e depressivo na outra, com diversos planos em um dia e diversas crises no outro, com recursos que compram pessoas, mas não pagam pela felicidade e realização pessoal.
Todo mundo está feliz, todo mundo quer mesmo dançar? Pois muitas vezes se pede bis de mais uma dose, de mais uma cama, de mais uma noitada, de mais uma rodada de drogas, para esquecer que as naves que se abrem hoje, não trazem mais a menina loirinha, inocente e sorridente que víamos a uns anos atras, quando as naves se abrem, muitas vezes, só há cobranças, pressões, decepções, abandonos, desilusões, frustrações, mostrando que chegou a hora de crescer, que não as palmas que se batem são para malucos dançarem, os gritos, muitas vezes, são mais na alma do que nas gargantas e a falta de energia é evidente no primeiro desafio!
O que precisamos ver, é mais que um Tindolelê, que o Nheco-nheco, o chique chique e o balancê, queremos ver quem é capaz de levantar e sair da multidão, para ser quem precisa ser, para de fato crescer, não se tornar um bebê de 30, 40 ou 50 anos, mas ser capaz de dirigir sua própria história, programando todos os dias fazer o melhor, descer da nave dos sonhos e pisar na terra das realizações, do controle das emoções, das razões e conduzir a vida como o mais belo desenho, que termina com um final mais que feliz, aí sim poderá levantar as mãos e passar esta bela energia a um, dois, três ou mais, até quem sabe, a uma multidão!

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