sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

VAMOS JOGAR?



Quando eu e você éramos crianças, sempre tínhamos um jogo em mente e caso não tivesse nenhum, éramos plenamente capazes de inventar um, o importante era estar em atividade, era jogar.
Tínhamos diversos jogos entre os inventados e os já tradicionais, com prêmios ou não, o que valia era jogar e quando a vitória vinha, era melhor ainda, pois o prazer de "zoar" os perdedores era imensurável!
Para nós nunca valeu o tal do competir, para nós o que valia era ganhar, havia vitórias como aquelas no pique - esconde, garrafão, carniça, pega-pega ou outro tipo de pique, que não valia nada, mas disputávamos como uma final de campeonato, só para ao final sentarmos todos esbaforidos na calçada e analisarmos os resultados, quem caiu, quem apanhou, quem riu, quem se deu muito bem e quem se deu mal.
Como todo jogo haviam suas regras e mesmo que nossas inocentes brincadeiras unisse crianças muito obedientes e crianças não tão obedientes assim, impressionava o fato de todos as cumprirem!
Jogo é jogo, que vença o melhor, o mais ágil, o mais esperto, o mais forte ou o mais preparado, mas o que não se pode fugir é das regras, pois se jogo é jogo, regra é regra, mesmo aquelas inventadas cinco minutos antes de começar a brincadeira, não importa, eram cumpridas!
Como diz a famosa frase que o combinado não sai caro, assim combinamos regras, formas e métodos de o que fazer e como fazer, porém em alguns casos, nem sempre são seguidas as regras ou elas simplesmente vai-se na contramão do que diz o comentarista de arbitragem, as regras não são claras, assim ficamos por saber o que fazer, mas não muito como fazer, gerando diversas formas de fazer, vícios ao fazer e exageros ao fazer!
Quando decidi ser corretor de imóveis e comecei a me relacionar com outros corretores de imóveis, percebi algo muito claro: a profissão como qualquer outra, possui um órgão regulador, uma classe  com normas e regras, mas elas são seguidas?
As regras da corretagem são ou não são claras? Na verdade algumas sim, outras não, mas onde se encontra o manual, no órgão regulador e se elas não forem seguidas ele pune seus transgressores?
Em todo lugar, nas mais diversas profissões, também se faz evidente a frase clichê, que diz que há os bons e os maus profissionais, mas se tratando de corretores de imóveis, os que também se sentem abandonados pelo órgão regulador, os que também são desunidos e os que também muitas vezes se prostituem em troca de um resultado, seja ele grande ou pequeno, precisamos entender que fica de certa forma mais fácil fugir ou simplesmente não se aplicar regras, pois o básico está lá, escrito, ensinado, passado nas palestras, nos vídeos e  cursos sobre a profissão, mas o principal não está: a educação em jogar.
Jogo é jogo, regra é regra, mas ser humano é ser humano e de Eva para cá, vem-se quebrando as mesmas, poderia se comer de tudo, menos daquela árvore, pode-se vender de tudo, menos deixar de ser profissional e quando um corretor deixa de manter sua comissão, deixa o proprietário dar o valor do imóvel, regado no sentimento, na proximidade da mãe, na rua que cresceu, no bairro que gera status, na decoração que ele sonhou, deixa de fazer o básico: seu trabalho!
Quebramos as regras para garantir comissão, para fugir de impostos, para efetuar a venda de forma mais rápida, para simplesmente não deixar de vender ou não perder o cliente, mas esquecemos que quanto mais profissional, quanto mais dentro das normas e regras, mais seremos procurados, procurados não pelo trabalho em si, mas pela confiança, já que ninguém vai ao médico porque ele faz mais barato, ou porque ele usa um produto de segunda linha, pelo fato dele não ter consultório e atender nos fundos de casa, as pessoas vão ao médico pela confiança, por indicação, ou você nunca ouviu alguém dizer: “ vai nele que ele é bom”, vai nesse que fez o parto da minha filha, vai naquele que cuidou do meu marido, etc?
Nós corretores de imóveis precisamos entender que as pessoas não compram conosco por fazermos descontos, por darmos brindes ou vantagens a elas, pois elas não vêm até nos como quem vai a uma loja de conveniências ou uma loja de eletros, elas não estão comprando sapatos, que se não couber ou ficar apertando, dão para a amiga ou amigo, estamos trabalhando com sonhos e cabe ressaltar algo sobre sonhos;
1-     Sonhos são diferentes, pessoais e intransferíveis
2-     Sonhos não tem tamanho, não cabem inclusive no bolso
3-     Sonhos quase nunca são realizados de imediato
Então se uma pessoa nos procura e nos entregam o esboço dos seus sonhos, precisamos saber que ele pode ser exclusivo, não caber no nosso e em outros bolsos e podem até levar tempo, mas são absolutamente realizáveis e quem pode realizá-los? Nós, desde que mantenhamos a sobriedade, a determinação e principalmente, o enquadremos ás regras, pois no jogo da vida já vimos e já vivemos muitas experiências ruins, por fugirmos delas, vivemos em um país marcado pelas conseqüências da falta delas, onde o jeitinho vale mais que o correto, onde a regra mais clara é a de se dar bem, mas essa “regra” nuca nos levou a lugar algum.

Portanto ser corretor é sim pular do avião sem pára-quedas, entrar no mar revolto sem nenhum auxílio, mas é saber que por mais que existam diversos meios e atalhos para se conseguir algumas coisas, os verdadeiros vencedores na profissão, sempre serão aqueles que buscam fazer o melhor, buscam se qualificar, seguir as regras, se aperfeiçoar e cada dia mais se apaixonar pelo que faz, certo de que no jogo da vida, ainda realizará muitos sonhos e certamente todos sairão vencedores!

Luciano Pierre  

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